| |
Não chamem o meu falecimento de leito da morte, mas de leito da vida.

Dêem a
minha visão ao homem que jamais viu o raiar do sol, o rosto de uma criança
ou o amor nos olhos de uma mulher.

Dêem o meu coração a uma pessoa cujo
coração apenas experimentou dias infindáveis de dor.

Dêem o meu sangue ao
jovem que foi retirado dos destroços de seu carro, para que ele possa
viver para ver os seus netos brincarem.

Dêem os meus rins às pessoas que
precisam de uma máquina para viver de semana em semana.

Retirem os meus
ossos, cada músculo, cada fibra e nervo do meu corpo e encontrem um meio
para fazer uma criança inválida caminhar.

Explorem cada canto do meu
cérebro. Retirem as minhas células, se necessário, e deixem-nas crescerem
para que, um dia, um menino mudo possa ouvir o gritar em um momento de
felicidade ou uma menina surda possa ouvir o barulho da chuva de encontro à
sua janela.

Queimem o que restar de mim e espalhem as cinzas ao vento, para
que elas ajudem as flores a brotarem.

Se tiverem que enterrar algo, que
sejam meus erros, minhas fraquezas e todo o mal que fiz aos meus
semelhantes.

Dêem os meus pecados ao diabo. Dêem a minha alma a Deus.
Se,
por acaso, desejarem lembrar-se de mim, façam isso com ação ou palavra amiga
a alguém que precise de vocês.

Se fizerem tudo o que pedi, estarei vivo para
sempre.
|
|