Insone
( Para Joseph )

Vigília,
vigília,
vigília...
Vigio, insone,
as horas,
na noite
que te guarda
dentro do seu ventre
de ébano e te esconde.
Espreito a manhã,
num rasgo de esperança,
que pode te trazer de volta,
para enfim,
no encontro do abraço,
exorcizar a dor da ausência,
desse silêncio,
desse velar constante
sem me deixar vencer
pelo olhar embaçado
do cansaço.

Vigília,
vigília,
vigília...
Tua partida
plantou
soturna escuridão
em minha alma;
nas madrugadas frias,
vigio e choro
sobre os panos
das lembranças
que teço qual mortalha,
nesta saudade sem fim
que me envolve
e me agasalha.
Vigília, vigília...

(Claudette Grazziotin)

 

 


 

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